sábado, 14 de abril de 2012

Semente Regada

"Tenho medo de escrever. É tão perigoso. Quem tentou, sabe. Perigo de mexer no que está oculto — e o mundo não está à tona, está oculto em suas raízes submersas em profundidades do mar. Para escrever te­nho que me colocar no vazio. Neste vazio é que existo intuitivamente. Mas é um vazio terrivelmente perigoso: dele arranco sangue. Sou um escritor que tem medo da cilada das palavras: as palavras que digo escondem outras — quais? talvez as diga. Escrever é uma pedra lançada no poço fundo."


Clarice Lispector





É numa noite chuvosa que finalmente nasce. Porque o medo de tirar o cadeado e me escrever para que alguém leia só poderia ser desafiado assim, debaixo de muita chuva. De outro jeito não poderia ser. Chuva, Clarice e Lenine me lembrando que "em tempos de tempestades, diversas adversidades, eu me equilibro e requebro".
Começou com um vento sujo que varria a terra até os olhos.  Ventou, choveu e trovejou muito. Mas a chuva nunca dura pra sempre. E como eu chovi, em quatro meses, 89% das lágrimas previstas para o ano inteiro, deve estar perto do fim. Seca.